O avanço da fome e da inflação: diagnósticos e saídas


O avanço da fome e da inflação: diagnósticos e saídas

 

Ø  Caros amigos e amigas, quero aproveitar esse espaço e compartilhar uma grande preocupação que me acompanha há alguns meses! Um fenômeno lastimável que ganhou os jornais nas últimas semanas e pode ser visto nas ruas: o crescimento da fome e da inflação no Ceará nos últimos anos.

 

Ø  Participei ativamente da luta contra a carestia em Fortaleza no final da década de 1980 e vi de perto o que significa o aumento exorbitante de preços para uma família pobre.  O impacto desse cenário para as crianças e idosos é simplesmente devastador. Acreditava que esse fenômeno não fosse mais se repetir! Os fatos mostram o contrário.

 

Ø  A FAO (Organização das Nações Unidos para Alimentação e Agricultura) deixa claro em seus relatórios que o Brasil foi um dos países que mais avançou no combate à fome no início do século XXI. A melhora registrada ao longo de uma década tirou o Brasil do Mapa Mundial da Fome em 2014. O Brasil foi um dos destaques do relatório daquele ano. O indicador da fome volta agora a mostrar piora no país.

 

Ø  O ex-diretor, José Graziano destaca o trabalho estruturado e permanente promovido desde o final da década de 1990 e fortalecido a partir do governo Lula. O programa Bolsa Família e sua rede de proteção social se tornaram referência mundial. O especialista chama atenção também para a decadência dessas políticas a partir do governo Temer em 2016.

 

Ø  Para visualizar esse quadro, vamos diretamente aos dados:

 

·         Divulgada em 17/09/2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) mostra que depois de mais de uma década em declínio, a fome voltou a crescer e atingiu 10,284 milhões de pessoas de meados de 2017 a meados de 2018 — o correspondente a 5% da população brasileira. Os dados estimados pelos economistas da FGV para 2019 e 2020 indicam piora no quadro!

 

·         Há pouco mais de um ano, o presidente Jair Bolsonaro afirmou em entrevista que a fome no Brasil seria uma “grande mentira”. “Passa-se mal, não come bem. Aí eu concordo. Agora, passar fome, não”, afirmou o presidente na ocasião – VALOR ECONÔMICO (17/09/2020). Além de negar os horrores da ditadura e a COVID-19, o mandatário maior da nação nega os dados da fome.

 

Ø  Diretamente relacionado ao avanço da fome, temos a inflação, simbolizada pelo aumento desenfreado dos preços ao consumidor. O preço dos itens de alimentação tem pesado no bolso dos consumidores das grandes cidades cearenses.

Ø  Além de afetar o orçamento, o aumento desses itens contribuiu para o crescimento da prévia da inflação na capital, que, em setembro, registrou a maior alta do país, com avanço de 0,57%. O economista Alex Araújo ressalta que este cenário de preços altos terá mais impacto sobre as famílias mais pobres, que sentirão mais o aumento dos custos.

 

Ø  Segundo o IBGE, 55% do orçamento familiar no Nordeste é dedicado para os gastos básicos. Isso tem um peso muito grande no orçamento. E quanto mais baixo for o nível de renda da família, mais o aumento da inflação vai afetar, principalmente, as famílias mais pobres. Pesquisa do IPECE (julho – 2020) registra que as famílias cearenses com até dois salários mínimos (R$1.908) gastaram até 26,3% da despesa com alimentação, enquanto as famílias com rendimentos superiores a vinte cinco salários mínimos (R$ 23.850,00) comprometeram apenas 7,1%.

 

 

·         Segundo o IBGE e seu IPCA (Índice de Preços para o Consumidor Amplo), Fortaleza foi a capital que teve a maior inflação do país até setembro de 2020. Os alimentos que mais inflacionaram em Fortaleza (set – 2020) foram: Óleo de soja: 20,79%; Leite: 9,56%; Feijão fradinho: 7,42%; Arroz: 7,42%; Queijo: 7,06%; Farinha de mandioca: 6,32%; Linguiça: 6,26%; Carne de porco: 5,80% e Biscoito: 4,46%.

 

Lembrando que esses dados são referentes ao mês de setembro. Se pegarmos somente o aumento no preço do arroz, teremos uma variação estimada em 40% em 2020.

 

Ø  Esse panorama se torna mais grave com os efeitos da pandemia da COVID-19. De acordo com o levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no Ceará, 310 mil famílias viveram apenas com os recursos do benefício em julho. O pesquisador do Ipea e coordenador do levantamento, Sandro Sacchet, revela que 38% das residências no Estado não contaram com qualquer renda originada do trabalho, o equivalente a mais de 1 milhão de domicílios.

 

Ø  O Ceará e o Nordeste como um todo têm uma taxa de participação na economia mais baixa. Há bastante informalidade, tanto na zona rural quanto urbana, e foram justamente os mais afetados. Antes mesmo da pandemia, já havia uma proporção significativa de famílias que viviam sem renda do trabalho, dependendo apenas de outras fontes, como benefícios, aposentadoria, pensão, entre outros, realidade que se agravou.

 

Ø  Em 2019, portanto, antes da pandemia, de acordo com dados do Cadastro Único para Programas Sociais do Ministério da Cidadania, 1.027.487 pessoas no Estado sobreviviam com renda familiar per capita de até R$ 89 por mês. Com o número, o Estado ocupava a quarta posição entre as unidades da Federação com os maiores índices de extrema pobreza.

 

Ø  O governo cearense não ficou passivo diante dessa realidade. Antes mesmo da pandemia, o estado vinha adotando políticas para melhorar esse contexto através do programa Cartão Mais Infância Ceará, que beneficia, com um valor de R$ 85,00, mais de 47 mil famílias com crianças na primeira infância e em situação de extrema pobreza. Também temos o Programa Mais Nutrição, que entrega alimentos para entidades cearenses, visando a segurança alimentar e nutricional e também a redução do desperdício de alimentos.

 

Ø  É notório que o governo vem adotando medidas para minimizar os impactos da COVID-19, como, por exemplo, a distribuição de um cartão vale alimentação para mais de 400.000 alunos da Rede Estadual de ensino, no valor de R$ 80,00 cada, além da distribuição de mais de 200 mil botijões de gás para famílias mais vulneráveis.

 

Ø  O auxílio emergencial está tendo um efeito pontual sobre a redução da pobreza, pois eleva temporariamente os valores do Bolsa Família e garante renda para os que viviam sem recursos, contudo, para Vitor Hugo Miro, coordenador do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP) da Universidade Federal do Ceará (UFC), a redução desses índices demonstra o baixo nível de renda de parcela significativa da população e aponta outro problema a ser resolvido. "Qual a realidade destas pessoas no cenário pós-auxílio?

 

Ø  É inegável que é preciso um plano urgente para minimizar os impactos da miséria sobre a nossa população. Esse ponto deve ser pauta obrigatória nas eleições municipais.

 

Ø  De olho nessa realidade gritante, o nosso mandato articulou uma série de ações visando à redução dos impactos da COVID-19:

 

·         Viabilização de cestas básicas para guias de turismo e bugueiros.

·         Luta pela concessão da renda mínima emergencial e microcrédito para os agricultores familiares, guias e bugueiros.

·         Utilização de recursos do FECOP para custear a confecção de máscaras de tecido por costureiras autônomas que seriam doadas para a população em situação de vulnerabilidade social, além de utilizar os mesmos recursos para atenuar os impactos da pandemia no setor turísticos, principalmente os guias, condutores e informantes de turismo.

·         Prorrogação do auxílio do governo do estado (CAGECE) para as famílias rurais vulneráveis.

·         Com relação à saúde, tivemos projetos envolvendo a capacitação dos agentes comunitários de saúde, atenção a saúde indígena, quilombola e ciganos, participação das entidades sindicais na comissão que discute o retorno das atividades, obrigatoriedade do uso de máscaras e adoção de medidas protetivas por parte da Caixa Econômica Federal.

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