A inteligência artificial (IA) é o futuro, mas também já é uma realidade consolidada no mundo todo, principalmente quando se trata de educação e nas salas de aula brasileiras. Presente nos celulares dos alunos, nos computadores dos educadores e nas plataformas de ensino, a tecnologia se instalou no cotidiano escolar antes mesmo que o Brasil desenvolvesse diretrizes claras para o seu uso.
E esse é o problema. Reportagem publicada pelo UOL mostra que estados, universidades e empresas estão criando políticas próprias enquanto o país ainda aguarda diretrizes nacionais definitivas. O resultado é um cenário fragmentado: cada rede escolhe suas ferramentas, seus fornecedores e seus critérios, sem que seja possível comparar custos, resultados pedagógicos ou riscos para estudantes e professores.
Os números revelam a urgência do debate. Segundo a pesquisa TIC Educação 2025, citada pela reportagem, 53% das escolas consultadas já utilizavam inteligência artificial generativa em atividades pedagógicas, administrativas ou financeiras. Em 37%, os alunos podiam empregar essas ferramentas nas atividades escolares. Entretanto, somente 22% possuíam um guia institucional para orientar seu uso. Ou seja: a tecnologia avança mais rapidamente do que a capacidade de governá-la.
Não foi à toa que, preocupado com este cenário, apresentamos, em nosso mandato de deputado estadual, o projeto de lei que trata do Letramento Digital, que incentiva o uso consciente e produtivo da tecnologia, promove a educação digital e o acesso à inteligência artificial como ferramenta de inclusão e desenvolvimento social.
Não só isso: na minha gestão à frente do Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec), promovemos, em todo o Ceará, uma série de Seminários de Letramento Digital, em que reunimos autoridades, educadores, estudantes e gestores para debater o uso consciente das tecnologias digitais e seus impactos na cidadania.
Garantir o uso ético e pedagógico da tecnologia é um compromisso urgente para transformar a inovação em inclusão social. Somente com regras claras e foco na mediação humana faremos da inteligência artificial uma verdadeira aliada na construção do futuro da educação.