A pesquisa apresentada no editorial do O POVO de 11 de setembro revela uma situação preocupante: 20,4% dos estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio já fizeram apostas online. Entre os alunos do terceiro ano do ensino médio, esse percentual chega a 49,7%. Embora apostar não signifique necessariamente dependência, a dimensão dessa exposição exige atenção e políticas públicas
Defendo que o Ceará crie um programa de prevenção e cuidado, articulando escolas, serviços de saúde, universidades e famílias. Nas escolas, precisamos promover ações continuadas sobre probabilidades, riscos financeiros e estratégias de publicidade utilizadas pelas plataformas e pelos influenciadores. Professores e equipes escolares também devem ser capacitados para identificar sinais de prejuízo e encaminhar os jovens ao atendimento adequado, preservando sua privacidade.
Uma experiência alemã oferece uma referência importante. O programa PROTECT, realizado com 422 adolescentes em 33 escolas, promoveu quatro encontros conduzidos por psicólogos. Após um ano, os sintomas relacionados ao uso problemático de jogos digitais e internet diminuíram 39,8% entre os participantes. Embora o estudo não tenha avaliado apostas, indica um caminho de intervenção escolar que pode ser adaptado e testado no Ceará.
Proponho iniciar um projeto piloto em escolas de diferentes regiões do Estado, com a participação das universidades e integração à rede de saúde. No caso das bets, também é necessário enfrentar a publicidade e as facilidades de acesso, fortalecendo a fiscalização das plataformas. Nosso compromisso deve ser unir educação, saúde, famílias e comunidade científica para oferecer informação, acolhimento e proteção aos jovens, sem constrangimento ou culpabilização.
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Acrísio Sena,
Professor e Candidato a Deputado Estadual