A saúde mental de crianças e adolescentes precisa estar no centro das políticas públicas. O ambiente digital já faz parte da rotina dessa geração e exige atenção. Em 2025, 92% da população brasileira de 9 a 17 anos utilizava a internet e, entre os usuários de 11 a 17 anos, 53% relataram ter visto vídeos de pessoas divulgando jogos de apostas. São números que mostram a urgência de proteger crianças e adolescentes dos riscos e conteúdos prejudiciais presentes no ambiente digital.
Quando o uso de telas começa a prejudicar o sono, a aprendizagem, as brincadeiras e a convivência, é preciso agir. Essa proteção não deve considerar apenas o tempo de tela, mas também situações como cyberbullying, violência, abuso sexual online e exposição a conteúdos inadequados. A escola tem papel fundamental nesse processo, com educação digital, orientação, prevenção e aplicação responsável das restrições ao uso de celulares, respeitando as exceções previstas em lei.
As famílias também precisam de orientação e apoio para estabelecer limites, utilizar ferramentas de proteção e manter um diálogo aberto com os filhos. Defendo, no SUS, a ampliação do atendimento em saúde mental infantojuvenil, com formação dos profissionais, acompanhamento das famílias, orçamento e metas verificáveis, como a redução do tempo de espera. Escolas, unidades de saúde e serviços especializados devem atuar de forma integrada, garantindo que crianças e adolescentes em sofrimento tenham acesso ao cuidado de que precisam.
As plataformas digitais têm responsabilidade pela segurança dos serviços que oferecem e devem adotar medidas de prevenção de riscos, proteção da privacidade e combate ao uso compulsivo. Proteger a infância no mundo digital é uma responsabilidade compartilhada entre poder público, famílias, escolas, profissionais e plataformas. Crianças e adolescentes têm direito à tecnologia e às oportunidades que ela proporciona, mas precisam de condições para utilizá-la com saúde, segurança e proteção.
Acrísio Sena,
Professsor e Candidato a Deputado Estadual